Carta de Dom Odelir José Magri, mccj ao Povo de Deus da Diocese de Sobral

terça-feira, outubro 12, 2010
"Bendito aquele que vem em nome do Senhor!"
Agradeço a Deus por ter escolhido aquele que conduzirá o "seu" povo nestas terras.
Seja bem-vindo. Abraços.

Foram estas as primeiras palavras que recebi do Pe. Raimundo Nonato Timbó, administrador Diocesano, com o qual tive a alegria de falar pela primeira vez na quinta-feira dia 07 de Outubro, após ter recebido sinal verde de Sua Excelência Mons. Lorenzo Baldisseri, núncio Apostólico do Brasil.
Logo em seguida enviei uma mensagem ao Pe. Nonato afim de verificar se eu havia anotado corretamente o seu endereço e-mail. E ele respondeu-me com as abençoadas palavras acima referidas.
Confesso que tais palavras, “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”, suscitaram em mim uma grande emoção e senti a mão de Deus e a vossa fraterna acolhida nas palavras do Pe. Nonato.

E foi assim que respondi:

Obrigado Pe. Nonato.
Sinto-me emocionado e ao mesmo tempo meio desorientado por estar escrevendo à alguém que ainda não conheço pessoalmente. Mas sei que é apenas questão de tempo. “Bendito aquele que acolhe em nome do Senhor”.
Na verdade, não vejo a hora de poder pisar o solo desta abençoada terra e encontrar-me com vocês, Povo de Deus da diocese de Sobral, um presente do céu para mim.

Desejo iniciar a minha saudação com uma oração: SENHOR, pela força de tua graça, faz que o teu servo Dom Odelir José e cada um dos sacerdotes da nossa diocese sejamos pastores segundo o teu coração (Jr. 3,15), pastores ‘santos e capazes’. Faz Senhor que se realize em nós e por meio de nós, família de Deus da diocese de Sobral, o teu plano de Amor e de Vida para o teu povo. Amém.
Um obrigado de coração também o Santo Padre, Papa Bento XVI, que confiou-me esta missão e responsabilidade. Santo Padre obrigado, porque estou certo de poder contar sempre com o seu apoio e comunhão na oração.

Por meio desta carta desejo manifestar o meu caloroso e fraterno abraço e a minha bênção a cada um e cada uma dos filhos e filhas da diocese.
O meu primeiro abraço vai especialmente para cada um dos sacerdotes, aos seminaristas, a cada uma das lideranças de nossas comunidades, aos religiosos e religiosas; ao meu predecessor, Dom António Fernando Saburido, Arcebispo de Olinda-Recife e a cada uma das nossas famílias das quatro regiões episcopais: Sede, Araras, Vale do Coreaú e Vale do Acaraú.
A minha cordial saudação também aos responsáveis e fiéis das diferentes igrejas e comunidades evangélicas e outras presentes no território de nossa diocese.
Enfim, sintam-se todos contemplados no meu abraço fraterno, na minha bênção e oração.

A verdade é que não nos conhecemos e eu não tive ainda a alegria e a sorte de pisar o solo desta abençoada terra, também chamada “Princesa do Norte”.
Por isso quando fui convocado na Santa Sé pelo Cardeal Ouellet para receber a notícia que o Santo Padre me havia nomeado bispo da diocese de Sobral, a minha primeira reação foi de perguntar: Mas Excelência, porque eu? Porque um missionário Comboniano, um catarinense da diocese de Chapecó, com experiencia missionária de alguns anos de África e com uma limitada experiencia pastoral no Brasil? Sim, é verdade que trabalhei alguns anos na periferia de São Paulo e outros em Contagem, Minas Gerais. Desde 2003 estou na equipe de coordenação do nosso Instituto e nunca pisei sequer o solo daquela diocese.
Na medida que o cardeal me explicava as motivações e razões da minha escolha, dentro de mim as interrogações aumentavam: Senhor, porque não escolheste alguém que conhece a realidade do Ceará, o seu povo e suas lutas? Alguém que conhece esta Igreja particular, sua caminhada e sua historia? Porque não chamaste alguém que poderia iniciar o seu serviço de Pastor nesta diocese com maior facilidade e com maior eficiência?
Confesso e não escondo, estas são algumas das perguntas que ressoam dentro de mim. Neste momento não pretendo respostas, mas quero simplesmente partilhá-las com vocês para que juntos possamos acolher esta recíproca surpresa da minha escolha como um dom Deus e um ato de fé.

E foi assim que as palavras de boas vindas do Pe. Nonato penetraram fundo no meu coração e foram um início de resposta às minhas perguntas: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.
Portanto, aceitei o convite do Santo Padre tendo consciência de ser um ilustre desconhecedor da realidade da diocese que me foi confiada. Mas venho no meio de vós com uma certeza, não fui eu que escolhi Sobral, mas Alguém que me enviou e eu venho em nome deste Alguém. E neste sentido não posso não recordar as palavras de Jesus aos seus discípulos “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi e designei para irdes produzir frutos e para que o vosso fruto permaneça…” (Jo 15,16).

O fato de não conhecer a realidade da diocese me preocupa e sei que comporta muitos desafios para mim. Mas venho no meio de vós como um amigo, um irmão, um pai e como vosso pastor e guia. Venho como missionário Comboniano, marcado pela força e a riqueza do carisma e da espiritualidade de São Daniel Comboni. Venho com ganas e vontade de conhecer, escutar, aprender, descobrir e de trabalhar com vocês na vinha do Senhor que é a nossa diocese. Venho com o desejo e a determinação de ajudar esta igreja particular a fortalecer sempre mais a sua vocação missionária, também no sentido ‘ad gentes’.

Interiormente me sinto sereno e confiante. Como comboniano tive a oportunidade de viver ricas experiencias internacionais e pretendo fazer ‘tesouro’ dos meus anos de missão na África, Republica Democrática do Congo, da minha experiência como formador de futuros missionários e da minha experiencia como conselheiro e vigário geral do nosso Instituto desde 2003.

Em 1992 fui enviado ao Congo como jovem sacerdote, sem conhecer a língua local, sem conhecer aquele povo e suas tradições e culturas, sem conhecer aquela Igreja local, sem conhecer os meus colegas combonianos que lá trabalhavam, e depois de 18 anos de vida missionaria, posso dizer que os anos de África foram os mais duros e difíceis, mas ao mesmo tempo os mais belos e marcantes da minha vida. Agradeço a Deus e São Daniel Comboni pelo dom da vocação missionaria.
E ouso acreditar que o mesmo acontecerá na diocese de Sobral. De minha parte não medirei esforços para que assim seja e estou certo de poder contar com a vossa recíproca confiança e colaboração. Caminho se faz caminhando e juntos caminharemos e abriremos novos caminhos.

Vivo neste momento a ansiedade de poder chegar em Sobral para um nosso primeiro encontro e conhecimento recíproco. Parece estranho, mas mesmo sem nunca ter estado antes com vocês, confesso que já estou sentindo saudades de Sobral. Até breve.


Alguns aspetos práticos:
O Cardeal Ouellet Marc e o Núncio apostólico do Brasil me disseram que tenho três meses de tempo para programar a minha consagração episcopal e “receber a posse” como bispo titular da diocese.

Durante o mês de Outubro eu tenho uma serie de compromissos aqui em Roma com o Conselho Geral dos Missionarios Combonianos. E o padre geral pediu-me para prever também um tempo de passagem das minhas responsabilidades ao meu substituto que deverá ainda ser escolhido e vir para Roma. Portanto, na melhor das hipóteses poderei deixar Roma lá pela metade de Novembro próximo.
Uma coisa porém já decidi e posso confirmar para vocês, quero e desejo ser consagrado bispo na Sede da diocese com a participação e presença das nossas comunidades cristãs das quatro regiões episcopais. É preciso agora definir juntos qual é a melhor data.

Portanto, apresento duas propostas ao vosso discernimento, lembrando que é oportuno fazer as coisas com calma e viver este momento importante para todos nós sem maiores atropelos e correrias stressantes e inúteis.

Mesmo se tenho a impressão que o tempo é curto para organizar tudo e poder confirmar com o núncio, bispos e outros, uma primeira proposta de data para a consagração episcopal poderia ser 08 de Dezembro, por ocasião da Festa de Nossa Senhora Imaculada Conceição.
Se vocês considerarem que esta data apresenta dificuldades particulares por causa também de tantas outras atividades, período de advento e celebrações da padroeira, etc., uma outra proposta poderia ser na primeira quinzena de Janeiro 2011. Isso nos permitiria organizar tudo com calma e maior serenidade.

Mas com muita liberdade gostaria de deixar à vocês este discernimento. Avaliem juntamente com Pe. Nonato e outras lideranças locais e me apresentem uma proposta concreta. A verdade é que quanto antes for possível iniciar os contatatos com o núncio, com os bispos convidados, parentes, amigos, melhor será para nós todos. Aguardo então a vossa resposta.

Enfim, quero finalizar confiando-me às vossas orações e especialmente as orações dos nossos doentes. Aproveito assim para enviar uma bênção especial a todos os enfermos da nossa diocese que se encontram em nossas famílias, na Santa Casa da Misericórdia, no hospital do Coração e tantos outros centros de saúde da diocese. A cada um de vocês peço uma oração especial pela minha nova missão como vosso pastor e pela nossa diocese.
Nossa Senhora Imaculada Conceição – Rogai por nós!

Fraternamente,


Dom Odelir José Magri, mccj

Roma, 10 de Outubro de 2010
Festa de São Daniel Comboni