DÍZIMO: COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE ECLESIAL.

sábado, fevereiro 09, 2013
Pe.Airton Liberato
Para iniciarmos uma reflexão séria a respeito do Dízimo hoje em dia, é necessário compreendermos a Igreja católica como nossa casa e Comunidade do Senhor: “Todavia se eu tardar, quero que saibas como deves portar-se na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (ITm.3,15), que também é nossa família, realidade presente em nossa vida cotidiana e espiritual. 

O objetivo deste estudo não é confundir e nem se contrapor ao Dízimo, pelo contrário, é de esclarecer a verdade do ponto de vista Cristã – visão neotestamentária; e como contribuir pela graça, (II Cor. 9,7) não por coação psicológica ou simplesmente por interesse (teologia da prosperidade).
    O Cristão não deve se sentir obrigado a devolver o seu Dízimo, por medo de ser amaldiçoado (Ml.3,11), isso seria reproduzir o pensamento hebreu (Lei mosaica) e não seguir os ensinamentos de Jesus Cristo. No novo catecismo da igreja católica, portanto, a igreja instituída pelo próprio Cristo, (Mt. 16,18) é apresentado o verdadeiro mandamento cristão sobre o que a igreja entende por Dízimo, “ajudar a igreja em suas necessidades” (cf. 5º mandamento, catecismo 2043), no entanto, temos que ter cuidado para não fazermos uma interpretação erronia deste mandamento. Podemos pensar que comprando uma rifa ou uma cartela de bingo já estamos ajudando o suficiente. É ajuda sim! Mas, não gera compromisso. Portanto, o Dízimo é a verdadeira ajuda.

A visão do que é realmente Dízimo, tem sido muito mal esclarecido ao decorrer dos anos. Primeiro quando a Igreja ainda era “vinculada” ao Estado, o Estado cobrava o dízimo em forma de imposto e repassava uma parte para a igreja (até 1889). Quando a Igreja separa-se do Estado fica meio que sem rumo na dimensão econômica. Aí retomaram a infeliz ideia das taxas pelos serviços religiosos. Ainda hoje pagamos um preço caro por tudo isso, que certa forma nos afastou da verdadeira prática da partilha, e quando partilhamos muitas vezes não somos honestos com Deus (Ml. 3,7-10).  Como se tudo isso não fosse o suficiente aparece a “teologia” das seitas pentecostais e até de grupos católicos com uma visão novamente equivocada a respeito do Dízimo; umas prometem prosperidade, outras nos amedrontam com possíveis punições no caso de não “pagarmos” o dízimo - na verdade tudo isso é contrário a pregação de Jesus (Mt. 23,23).
            É bem verdade que não existe um só versículo no Novo Testamento, que registre a obrigatoriedade do cristão em devolver o Dízimo. Por outro lado, se o cristão deixa de devolver, porque descobre que não é obrigado por Deus a dar o Dízimo está agindo de má fé para com Deus. Como está escrito em ICor. 9,7 “o cristão deve contribuir conforme o impulso do seu coração”. Observe o verbo! (o cristão DEVE) isso gera compromisso. Também devemos lembrar que Deus nunca nos obriga a nada, pois nos deixou a liberdade de escolha como opção de vida. Mas deve também saber que tem responsabilidade por sua igreja.

Pela antiga Lei, o dízimo era destinado à tribo levítica, aos sacerdotes desta tribo. Eles recebiam, se mantinham e distribuíam aos órfãos, as viúvas e aos outros necessitados. O templo foi destruído e não existe mais sacerdotes levitas. No entanto, a vontade de Deus não mudou; manter igreja, seus Sacerdotes e ministros e, principalmente ajudar os mais necessitados. Devemos devolver sim o Dízimo! É dever de todo cristão, mas, por responsabilidade à nossa família cristã, como graça de Deus em nossa vida e pelas infinitas manifestações de amor Dele para conosco. Esta é a nobre missão do cristão, devolver seu Dízimo a Deus através de seus representantes, os Sacerdotes, e estes, manter a missão de Cristo e repartir entre os mais necessitados.

Na Lei antiga, embora também por amor e por temor eles davam o Dízimo para não serem amaldiçoados e até para obterem bençãos(ML. 3,10).
Na Nova Lei, o Sacrifício de Cristo que é a causa principal da benção do povo cristão, e não a oferta ou o Dízimo. Jesus, nos ensina a partilhar, diz que somos igreja, partilha seu próprio corpo e manda que façamos o mesmo (fazei isto em memória de mim) MT. 26,26.

Por fim, como padre e pastor da Igreja de Cristo, proponho que para começar a entender melhor o sentido do Dízimo devemos conhecer os evangelhos e as cartas de São Paulo, e toda Bíblia. Então tenho certeza que teremos uma Pastoral séria, consciente e como verdadeiras Comunidades cristãs. Sou dizimista, porque tenho Jesus como Senhor e mestre e também porque acredito que o projeto evangelizador de Jesus acontece por meio da missão da Igreja Católica.
Padre José Airton Liberato
Presidente da Comissão Diocesana para o Dízimo.