O espaço da Oração

sábado, julho 16, 2016

Cidade do Vaticano (RV) – Neste mês de julho não estamos tendo as já tão esperadas homilias do Papa Francisco nas Santas Missas na capela da Casa Santa Marta; também em agosto não as teremos. São muitos os fiéis em todas as partes do mundo que aguardam com ansiedade o pensamento do Santo Padre e por que não, os seus puxões de orelhas, principalmente aqueles que se sentem “grandes cristãos”, ou “cristãos acomodados”.
Francisco nas suas reflexões matutinas, de um modo muito simples e eficaz nos faz ver e nos indica o caminho de como devemos ser para sermos bons cristãos, para seguirmos os ensinamentos de Cristo.
Em uma das suas últimas homilias, em meados de junho último, Francisco chamou a atenção para a oração do Pai Nosso. O Papa insistiu mais uma vez no valor da oração, nesta conversa “rosto a rosto” com Deus. Referindo-se à oração que Jesus nos ensinou e que todos os dias – esperamos – todos recitem, o Pontífice afirmou que rezando o Pai Nosso “sentimos o olhar do Pai sobre nós”.
Para um cristão, as orações não são palavras mágicas disse Francisco recordando que ‘Pai’ é a palavra que Jesus profere sempre nos momentos fortes de sua vida. Não desperdiçar palavras como os pagãos, não pensar que as orações são palavras ‘mágicas’.
Jesus “indica o espaço da oração em uma só palavra: ‘Pai’”.
E precisamente este nosso Deus, nosso Pai, sabe o que precisamos já antes de fazermos o pedido. É um Pai que “nos escuta às escondidas, no segredo, como Jesus, nos aconselha a rezar: no segredo”. Este Pai nos dá a identidade de filhos.
Digo ‘Pai’, e chego às raízes da minha identidade: a minha identidade cristã é, portanto, ser filho e esta é uma graça do Espírito. Ninguém pode dizer ‘Pai’ sem a graça do Espírito.
‘Pai’  - disse Francisco - é a palavra que Jesus usava quando estava cheio de alegria, de emoção: “Pai, te louvo porque revelas estas coisas as crianças”; ou chorando, diante do túmulo de seu amigo Lázaro. “Pai, te agradeço porque me ouvistes”; ou ainda, nos momentos finais de sua vida, no fim”.
Nos momentos mais fortes Jesus diz: ‘Pai’. Ele fala com o Pai”. É o caminho da oração, é o espaço de oração. “Sem sentir que somos filhos, sem dizer ‘Pai’ – advertiu então o Papa – a nossa oração é pagã, é uma oração de palavras”.
Certo, podemos rezar a Nossa Senhora, aos anjos e Santos, mas a pedra angular da oração é sempre o ‘Pai’. Se não formos capazes de iniciar a oração com esta palavra, “a oração não vai dar certo”.
Fazemos também as procissões, as peregrinações... Tudo bonito, mas sempre começando com “Pai” e na consciência de que somos filhos e que temos um Pai que nos ama e que conhece todas as nossas necessidades. Este é o espaço”.
Como dissemos antes Francisco nos recorda que rezar ao Pai, é sentir o olhar do Pai sobre nós, sentir que aquela palavra “Pai” não é um desperdício, mas é um chamado para Aquele que me deu a identidade de filho.
Ainda na oração do Pai Nosso temos a parte em que Jesus se refere ao perdão do próximo, como Deus nos perdoa. “Se o espaço da oração é dizer Pai - observou o Papa -, a atmosfera da oração é dizer ‘nosso’: somos irmãos, somos uma família”.
O Pai nos dá a identidade e a família. Por isso é tão importante a capacidade de perdoar, de esquecer, de esquecer as ofensas, a saudável costume, mas, deixemos para lá... que o Senhor faça, e não carregar o rancor, o ressentimento, o desejo de vingança.
Rezar ao Pai perdoando o próximo, esquecendo os insultos, é a melhor oração que podemos fazer. Pedir ao Pai é sentir-se realmente filho. A oração é voltar o nosso coração a Deus. (Silvonei José)
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