Não gosto de missa, por que é sempre igual?

terça-feira, agosto 30, 2016


Dizer que não gosta de missa porque é sempre a mesma coisa tornou-se refrão conhecido e tão velho quanto quê. Pode ser que você já tenha pensado a mesma coisa. Se ficarmos somente na ritualidade, de fato, sua estrutura ritual é sempre igual: ritos iniciais, liturgia da palavra, liturgia sacramental e ritos finais. Mas, o que muda é a vida que lá se leva para ser celebrada no Mistério da Salvação de Jesus Cristo. Por isso, cada rito, cada leitura, cada comunhão terão sentido diferentes; serão diferentes em cada missa.
Se você parar na ritualidade, concordo: “as missas são iguais”. O que dá sentido não é a ritualidade, mas a vida sintonizada com o projeto de Deus. Isso nem sempre é compreendido e, infelizmente, muitas equipes de celebrações querem fazer bonito, usam muita criatividade, mas esquecem de afinar missa com vida e projeto divino. Quando falta essa ligação, todas as missas ficam iguais.

O segredo está em celebrar

Tenho certeza de que você é daqueles que vê sentido na missa e já percebeu que uma é diferente da outra. É assim mesmo! Quando a gente vai para assistir, então é sempre a mesma coisa. O padre que reza lá na frente e o povo que senta e levanta, ajoelha e canta até terminar a celebração. É uma sucessão de ritos e canções, rezas, homilia e comentários. Mas, quando a gente deixa de assistir e passa a celebrar, a coisa muda. E muda para melhor. O segredo está em celebrar a missa e, não, em assisti-la.
Muda porque, na assistência, você só vai à igreja para ver a missa, como se vê televisão ou se assiste a um teatro. De fato, quem não celebra a missa pára na ritualidade. Quando uma equipe de celebração só se preocupa em executar ritos, a missa transforma-se em ritualismo. Quando a gente celebra, a coisa fica diferente. Cada missa torna-se uma “celebre-ação” nova, diferente da anterior.
Cada vez, encontra-se um sentido novo, uma razão diferente para celebrar. As equipes de celebrações têm uma função importantíssima nesse sentido: ajudar os celebrantes a colocar a vida pessoal e a vida da comunidade na salvação de Deus, que se celebra na missa.
Quando assim acontece, haverá um domingo que a celebração motiva a suplicar a presença e a luz divina para resolver algum problema.
Noutro, celebra-se para agradecer. Se está triste ou magoado com alguém, ela ajuda a celebrar com os irmãos a paz na provação e incentiva a perdoar. Noutro domingo, tudo é alegria e se quer abraçar o mundo e, então, celebramos com Deus e com os irmãos a alegria de viver. A cada domingo, celebra-se a própria vida na vida de Deus. Assim, o projeto de Deus, pelo Evangelho, passa a dar sentido ao viver. É Deus passando na vida de cada um; Deus passando na vida da comunidade. Como é possível dizer que é sempre a mesma coisa?

Na missa, Deus se manifesta

Mas, é bom lembrar que Deus não é alguém passivo que só recebe louvores e pedidos na missa. Ele também se manifesta. A gente ouve Deus falando pela Bíblia, pela mensagem do padre, pela poesia das canções, das orações… Ele se manifesta pelos símbolos e pelo silêncio. Isso complica, quando o padre fala sempre a mesma coisa ou se os músicos cantam qualquer canção, sem se preocuparem com o contexto celebrativo da missa. Também quando os símbolos não têm relação com a celebração. Mas, quando a equipe de celebração sabe comunicar-se liturgicamente, então os celebrantes falam menos e ouvem mais Deus, comunicando-se nos símbolos, sinais, gestos, pela Palavra e pela canção, pelos ritos, pela alegria da paz interior e pelo silêncio.
E, por falar em símbolo e sacramento, o mais importante de todos é o pão e o vinho que se tornam Corpo e Sangue do Senhor. Também esses ganham sentidos novos em cada missa. Cada vez que você se alimentar na missa é Cristo que você comunga; é a vida divina enriquecendo e santificando sua vida humana. Mas, como uma missa nunca é igual a outra, o efeito do alimento divino na vida do cristão sempre será diferente, sempre provocará um compromisso novo com o projeto do Reino de Deus.
Depois de mudar o olhar e a mentalidade no modo de perceber a missa, será possível dizer que missa é sempre igual? Não sei se aquele homem entendeu toda a explicação do padre, mas entender a missa como celebração pela qual Deus e a gente se misturam na troca de vidas, é descobrir-lhe a beleza sempre nova e cativante.
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