Fidel, o 'líder máximo' que encontrou três Papas

sábado, novembro 26, 2016

Cidade do Vaticano (RV) – Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana morreu sexta-feira (25/11), aos 90 anos, anunciou a TV estatal. Um dos homens mais carismáticos e controversos da História política do século XX, era a última grande figura do comunismo ocidental. O ex-líder ‘máximo’ governou a ilha caribenha por quase meio século até render-se à saúde e entregar o poder a seu irmão, Raúl Castro, em 2008. Conforme Raúl, o corpo do ex-presidente de Cuba será cremado na manhã deste sábado (26/11), ‘atendendo a seus pedidos’.

Povo cubano 'será vitorioso'
Fidel foi visto publicamente pela última vez em 15 de novembro passado, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang. Em abril, proferiu um discurso raro no último dia do congresso do Partido Comunista. Na ocasião, ele reconheceu a idade avançada, mas disse que os conceitos comunistas cubanos ainda eram válidos e o povo cubano ‘será vitorioso’.  
“Na abertura de Cuba ao mundo e do mundo a Cuba” foi decisivo o papel diplomático da Igreja Católica, inicialmente com João Paulo II e Bento XVI, e depois com a ação do Papa Francisco que levou à normalização das relações de Cuba e Estados Unidos.
O desgelo com Wojtyla
Fidel Castro encontrou Papa Wojtyla em 1996, no Vaticano: uma audiência reservada e cordial, de 35 minutos. No final, a declaração de Fidel: “Gostaria de receber o Papa em Cuba”. Dito e feito, em janeiro de 1998, o acontecimento histórico, a visita do Papa João Paulo II à ilha. Ao se despedir do Pontífice, que defendera repetidamente o fim do embargo, não se furtando, contudo, de pedir a libertação dos presos políticos cubanos, o presidente cubano afirmou:
“Creio que nós dois demos um bom exemplo ao mundo. O senhor, visitando o que alguns passaram a chamar de último bastião do comunismo. Nós, recebendo o líder religioso a quem quiseram atribuir a responsabilidade de haver destruído o socialismo na Europa”.  
Bento XVI em Havana
Quatorze anos depois, em 2012, mais livre de compromissos políticos, vista a idade e a doença, foi a vez do encontro com Bento XVI em Havana. Padre Federico Lombardi, então porta-voz da Santa Sé, mencionou que a conversa foi cordial; Fidel teria apresentado ao Pontífice esposa e filhos.
Entre o líder e Bento XVI houve uma animada troca de ideias e no momento da despedida, Castro quis agradecer Ratzinger por duas beatificações: Madre Teresa de Calcutá e João Paulo II.
As afinidades com Papa Francisco
Enfim, domingo, 20 de setembro de 2015: Papa Francisco e Fidel Castro, encontro definido na ocasião como “uma visita pastoral de um  sacerdote a uma pessoa idosa e doente”.
Castro ofereceu ao pontífice o livro ‘Fidel e a Religião', escrito pelo brasileiro Frei Beto (1997), com uma dedicatória: “Para o Papa Francisco por ocasião de sua visita a Cuba, com a admiração e o respeito do povo cubano”.  Deixando a ilha, em conversa com jornalistas no avião, Francisco revelou ter presenteado o líder com um livro e um CD de conferências do Padre Llorente, um jesuíta muito amigo dele, além de dois livros do Padre Pronzato.
“Falamos muito da Encíclica Laudato si’, porque estava interessado no tema da ecologia”, contou o Papa. “Foi um encontro mais espontâneo que formal; estava presente também a família e ainda os que me acompanhavam. Sobre a Encíclica, muito. Do passado, não falamos. Bem, um pouco do passado sim: do colégio dos jesuítas, de como eram os jesuítas, de como o faziam trabalhar. Disso, sim”.
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