Junto aos excluídos, Papa fecha Jubileu com chave de ouro

novembro 09, 2016


Domingo passado, os encarcerados. No próximo domingo, os socialmente excluídos. Na reta final deste Ano Jubilar, são estes os protagonistas escolhidos pelo Papa Francisco.
A propósito, ouça a reflexão do Vice-coordenador da Pastoral Carceraria Nacional, Pe. Gianfranco Graziola.
Para ele, ao escolher a periferia da humanidade, o Pontífice fecha com chave de ouro este Jubileu da Misericórdia.
Jubileu dos encarcerados e encarceradas
Papa Francisco nas suas viagens e na própria bula de convocação do Jubileu extraordinário da misericórdia "Misericordiae  Vultus", O rosto da misericórdia, tem uma atenção particular as obras de misericórdia corporais e espirituais.  Mas o Papa não tem uma visão teórica da misericórdia, para ele é bem claro que a misericórdia deve se concretizar em obras concretas dando o exemplo com as sextas feiras da misericórdia que ele foi  realizando como pastor no contexto da Igreja de Roma ao longo de todo este ano.
Também nas viagens,  suas celebrações e encontros focaram bem este aspecto no corte que ele deu as mesmas: o encontro e o abraço com as periferias da humanidade: povo de rua, encarcerados, jovens e adolescentes em conflito com a lei, idosos e pessoas que,  ele considera como os "descartados", o lixo do sistema econômico,  insuportável,  excludente,  que mata e ameaça o futuro da humanidade e da Casa Comum.
Assim como o começo, ao abrir a porta da Misericórdia em Bangui, na República Centro Africana, Papa Francisco, denuncia os ódios, as guerras fratricidas,  fecha a mesma com a chave de ouro do Jubileu dos encarcerados /as e das pessoas socialmente excluídas. Papa Francisco tem demonstrado grande sensibilidade para os conflitos de nossa humanidade, por suas feridas convidando a comunidade humana e cristã a não ficar indiferente diante os grandes e gravosos dramas por ela vividos,   convidando-a a assumir a sua responsabilidade,  forma concreta de assumir a atitude e o olhar misericordioso do Pai.
A Pastoral Carcerária Nacional no Brasil, acolhendo de bom grado esta provocação de Francisco quis traduzir de varias formas o rosto e o olhar misericordioso do Pai. A ação mais significativa disso é a "Agenda pelo Desencarceramento", um decálogo de propostas concretas, que vai da descriminalização das drogas, à desmilitarização do Estado, do sistema e da policia, à transformação de uma justiça classista, punitivista, vertical, autoritária e individualista,  para uma justiça horizontal, democrática, participativa e  restaurativa; instrumento que nos compromete a concretizar e realizar o sonho de uma sociedade, de um mundo sem cárceres. 
Concluindo temporalmente o Jubileu da Misericórdia, fica uma provocação que como Igreja e pastorais ainda não conseguimos responder, e que Francisco coloca com as duas últimas celebrações jubilares: será que conseguimos nós mesmos ultrapassar a porta da Misericórdia de Deus? A porta é generosamente aberta, e continuará aberta, é preciso um pouco de coragem da nossa parte para cruzar o limiar.
É preciso cruzar o limiar dessa misericórdia de Deus, Ele nunca se cansa de perdoar, nunca se cansa de nos esperar! Ele nos olha, está sempre próximo a nós. Coragem! Entremos por essa porta e passemos de uma pastoral, uma Igreja  de conservação, para uma Igreja missionária que em  « nossos dias, como Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade. (…)  orienta-se apenas a isto: servir o homem, em todas as circunstâncias da sua vida, em todas as suas fraquezas, em todas as suas necessidades ».
Este é o fruto da misericórdia do Pai, que cria em nós vísceras de misericórdia e transforma nosso olhar no rosto misericordioso do Pai. 
Pe. Gianfranco Graziola
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