Será o fim do celibato sacerdotal no governo do Papa Francisco?

sábado, março 11, 2017
Esta é a especulação que se faz desde o início do pontificado de Papa Francisco. Se eu fosse citar quantas vezes os meios de comunicação trouxeram à tona a questão, certamente um único artigo não bastaria. É interessante analisar a cobertura que foi feita sobre o tema e constatar que não só os meios de comunicação pecaram na interpretação da questão, mas que muitos católicos, infelizmente, demonstraram através de análises passionais realmente não conhecerem a diversidade da Igreja à qual pertencem.
De uma parte, as pessoas que não compreendem o celibato sacerdotal em si. Do outro lado, aqueles que, por pura falta de formação ainda não sabem sequer da existência de padres casados no seio da Igreja Católica apostólica romana – a diferença é que esses clérigos não compõem a igreja latina, ou seja, aquela presente em todo o Ocidente e da qual eu e você fazemos parte.
Para começar, a Igreja Católica de rito oriental, que integra ao todo 23 igrejas particulares, as chamadas sui iuris, está em total comunhão com o sucessor de Pedro, o Papa. Tais igrejas preservam costumes, devoções e práticas litúrgicas específicas e estima-se que mais de 16 milhões de católicos integrem essa outra face da Igreja Católica Apostólica Romana. Também por uma questão de tradição, o celibato é facultativo para os padres, já para os bispos, é obrigatório. Pois bem, então comecemos desfazendo o mito de uma provável novidade para toda a Igreja, caso Francisco “aprovasse” o fim do celibato obrigatório, algo que não irá acontecer, de acordo com nada mais nada menos que ele mesmo.
Estamos diante de um pontificado “manchetado”. Os títulos da notícias, que são produzidos para atrair os olhares do leitor para o texto, se tornaram o fim na era da internet. Um perigo, sobretudo se tratamos de Vaticano, Santa Sé, ou mesmo da história da Igreja, una realidade tão complexa que é praticamente impossível abordar uma única questão em poucas linhas – que dirá em uma frase. Há questões tão abertas relativas à história da Igreja, que é até difícil ser ousado em relação a determinados temas. Nem as fontes históricas às quais temos acesso foram capazes de nos dar todas as respostas. Portanto, muito cuidado com aquilo que lemos, de modo que não nos precipitemos nos julgamentos.
Em entrevista concedida ao jornal alemão Die Zeit, publicada esta semana, o pontífice não disse que estudaria a proposta de extinguir o celibato, mas que estudaria a possibilidade de que alguns homens casados pudessem exercer algumas funções sacerdotais, os chamados viri probati. A ideia é que essas pessoas possam assistir regiões do planeta onde as pessoas não têm acesso a um sacerdote ou nas quais a escassez das vocações é algo evidente. Então vamos diretamente à resposta do Papa, sem rodeios, já que não existe um modo melhor de encerrar o artigo: indo direto à fonte. Pax vobis!
“A vocação dos padres representa um problema enorme e a Igreja deverá resolvê-lo. No entanto, o celibato opcional, ou seja, facultativo, não é a solução, nem mesmo abrir as portas dos seminários a pessoas que não apresentam uma autêntica vocação. Já a questão dos viri probati é uma possibilidade, todavia, se deve precisar quais as tarefas que essas pessoas poderiam assumir nas comunidades “isoladas”. O Senhor disse: rezem. É isso que falta, a oração. E falta o trabalho com os jovens que procuram orientação”, ressaltou.
Escrito por *Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista especializada em coberturas religiosas, bacharel em História da Igreja e bens culturais da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Atualmente, faz mestrado em História da Igreja na mesma instituição. Depois de atuar em vários meios de comunicação no Brasil e na Itália, entre os quais Canção Nova, Século 21, Agência de Notícias Aleteia, entre outros, colabora com a Rome Reports, agência de notícias internacional especializada em Papa e Vaticano, com sede em Roma.