Papa Francisco Colômbia, país de esperança e futuro

terça-feira, setembro 12, 2017
Um “povo nobre que não tem medo de se expressar e de mostrar aquilo que sente.”  Foi com estas palavras que o Papa Francisco abriu a conferência de imprensa no voo de regresso da Colômbia.
Como habitualmente as primeiras perguntas foram feitas pelos jornalistas do país visitado. Assim, dois jornalistas colombianos pediram ao Papa para se exprimir sobre  a Colômbia pós acordo de paz e sobre a questão da corrupção.

A guerrilha, afirmou o Papa, foi “uma doença”, mas reconheceu a existência de “passos que dão esperança”. “Agradeço muito” ao ELN, disse, referindo-se ao Exército de libertação nacional que, diferentemente das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), não fala de paz, mas somente de trégua.

O Santo Padre acrescentou ter “percebido” que “a vontade de seguir em frente neste processo vai para além das negociações”, “é uma vontade espontânea”, e aí, assegurou, “existe a força do povo”, que porém “deve ser ajudado com a proximidade e a oração” e “com a compreensão”.

Em relação à corrupção - um dos temas fortes do Pontificado e Francisco – o Papa recordou o livro escrito sobre o tema e também as convicções já expressas sobre o corrupto, pessoa – reiterou – que “se cansa de pedir  perdão e se esquece de pedi-lo” a Deus que não lho negaria e que, em todo caso, é o único que pode salvar uma pessoa que se encontra nessa situação.

O tema do povo protagonista de seu destino voltou na resposta aos jornalistas de língua espanhola, que lhe perguntaram se era possível “replicar o modelo Colômbia”, ou seja, de uma negociação com mais vozes participantes.

Certamente, já aconteceu, confirmou o Papa, mas o facto é que mais do que a ONU, mais do que políticos ou técnicos, “um processo de paz seguirá adiante se o povo o assume”. Caso contrário, serão “compromissos” pouco resolutivos, acrescentou.

Depois uma jornalista perguntou ao Papa como se sentia depois do pequeno incidente a bordo do papamóvel. Francisco respondeu com uma brincadeira atendo-se em seguida a um tema que tem a peito: a questão ambiental.

Os sucessivos furacões em breve espaço de tempo e que estão a destruir amplas áreas da América Central são um drama que, reafirmou, chama cada um, inclusive os governantes, às próprias  “responsabilidades morais”. Basta consultar os cientistas, eles “são muito claros”, indicou o Papa.

Os jornalistas italianos quiseram saber a posição do Papa em relação à falta de prontidão dos governos no que diz respeito à imigração. Por que razão – perguntaram - não são solícitos como se deveria, quando, ao invés, o são – por exemplo – sobre a venda de armas?

Porque o homem “é estúpido”, retorquiu  o Papa, citando a Bíblia e quando decide não ver  “não vê”. Sobre a gestão dos migrantes que partem da Líbia, o Santo Padre disse não ter tratado do tema durante o encontro com o primeiro ministro italiano, Paolo Gentiloni e, sobretudo, sentir um “dever de gratidão” para com a Itália e a Grécia “porque abriram o coração aos migrantes”.
Abertura, precisou, que não pode prescindir da capacidade de cada país singularmente considerado. 

Todavia,  insistiu o Pontífice, a verdadeira questão em jogo é “a integração” ou o seu oposto.

“Coração sempre aberto, paciência, integração e proximidade humanitária”, indicou, convidando a humanidade a tomar “consciência” dos “lagers no deserto” onde desvaneceu os sonhos de tantos migrantes e, reconheceu o fato de o governo italiano estar “a fazer de tudo para resolver problemas humanitários, inclusive aqueles que não pode resolver”.

Durante a conferencia de imprensa  o Papa referiu-se brevemente à África, ainda vista por muitos como  um continente a ser explorado, ao invés de ser ajudado a reerguer-se.

Ainda sobre a migração, Francisco foi interpelado também acerca da abolição da lei e “Dreamers”  que nos Estados Unidos elimina as protecções queridas por Obama para 800 mil menores imigrantes indocumentados.

Embora reconhecendo não conhecer profundamente os pormenores dessa leia, o Papa disse: “Sei que o presidente estadunidense”, “se apresenta como homem a favor da vida. Se é um bom pro-life, entende, a família é o berço da vida e sua unidade deve ser defendida”, todas as vez que se tiram as raízes aos jovens, observou, drogas, dependências e suicídios tornam-se as terríveis saídas que eles encontram.

Sobre a questão venezuelana, que tem muito a peito, Francisco ressaltou que a Santa Sé falou forte e claramente” e que acerca das declarações do Presidente Maduro cabe a ele explicá-las. O que é “mais doloroso” para Francisco é o “problema humanitário” e sobre isso a ONU “deve fazer ouvir a sua voz” para dar uma ajuda, frisou.

Após cerca de 40 minutos de conversa com os jornalistas, a conferência foi interrompida devido a uma breve turbulência. Francisco concluiu então referindo-se mais uma vez à Colômbia que o impressionou muito, sobretudo os pais e mães que levantavam seus filhos quando ele passava para que fossem vistos e abençoados. Esse “é um símbolo de futuro, de esperança”, concluiu. Um povo “capaz de ter filhos e de os mostrar como se fossem tesouro, esse é um povo que tem esperança e tem futuro”.

(RL/ADC/DA)