No começo
da Igreja, não havia ainda uma doutrina cristã madura.
Evangelizava-se muito bem, porém, faltava uma catequese
consistente, que ajudasse a comunidade a aprofundar-se
em uma experiência de fé, madura, em que pudesse
atingir a todos.
Para caminhar na direção do Rei¬no de Deus
era preciso ainda abrir a estrada. Alguém precisava atender
o mandato do mestre. Hoje, ela já está bem adiantada
graças aos que começa¬ram antes de nós.
Os Pais e Mães da Igreja foram as pessoas que abriram
as primeiras trilhas dos caminhos da fé, para que pudéssemos
vivenciar melhor hoje a proposta de Jesus. Eles são chamados
de Pais ou Padres da Igreja, ou ainda de Santos Padres.
A época dos Pais da Igreja
foi dos séculos II a VI. Muitos de seus escritos foram conservados e podem
ser estudados hoje. Todos tinham uma grande intimidade com Deus na oração,
um grande amor pela Bíblia, um profundo conhecimento da tradição
dos após¬tolos e um cuidado com os pobres. Esta época foi um
período de renovação da Igreja, e também tempos fortes
da catequese. Tivemos santos padres e bispos dedicando uma parte importante de
seus ministérios à catequese. É a época de São
Cirilo de Jerusalém, Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, São
João Crisóstomos, Santo Ambrósio e Santo Agostinho, e de
muitos outros padres cujas obras catequéticas permanecem como modelo até hoje.
Os primeiros Concílios, em
especial o de Trento, constituiu um exemplo a ser sublinhado: “A Catequese
tem como prioridade suas constituições e seus decretos; estão
eles na origem do catecismo romano, e está intitulado como resumo da doutrina
cristã”. Daí surge uma organização notável
da catequese na Igreja, graças a santos bispos e teólogos como
São Pedro Canísio, São Carlos Borromeu, São Toríbio
de Mogrovejo e São Roberto Belarmino.
A catequese dos Santos Padres seguia
o método fé e vida. Uniam as palavras
(dos sermões e livros) ao testemunho de vida. O povo ouvia com atenção,
pois eram palavras questionadoras mas cheias de esperança. Eles não
tinham medo de dizer a verdade diante dos poderosos. Por isso, muitos desses
catequistas foram perseguidos e martirizados. Martírio quer
dizer testemunho. Os mártires tinham amor a Deus e aos irmãos e
entregavam a vida com alegria.
Os Santos Padres da Igreja não
tinham medo de dialogar com os não-cristãos. Eles buscavam trilhar
caminhos desconhecidos. Desejavam conquistar os não cristãos, ajudando-os
a amadurecer sua fé no confronto com a realidade. Esse testemunho serve
de exemplo para nós hoje: “catequista não pode ficar passivo
ensinando doutrinas, preparando celebrações sacramentais enquanto
a comunidade ‘geme em dores de parto’ devido a prostituição
da sociedade”.
Osorio Soares Gomes,
Coordenador de Catequese da Paróquia de
Ipu.