A
família é a célula originária da
vida. A família foi desejada por Deus. É também
a sociedade natural na qual o homem e a mulher são chamados
ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade
e a vida de relações dentro dela constituem os
fundamentos da liberdade, da segurança e da fraternidade
no conjunto social. A família é a comunidade
na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores
morais, tais como honrar a Deus e usar corretamente a liberdade.
A vida em família é o inicio da vida em sociedade
por isso, de qualquer instituição.
Toda instituição
se inspira, ainda que de maneira implícita,
numa visão do homem e de seu destino, da qual deduz os critérios
de seus juízos, sua hierarquia de valores, sua linha de conduta. A maior
parte das sociedades tem referido suas instituições a uma certa
superioridade do homem sobre as coisas. Só a religião divinamente
revelada reconheceu claramente em Deus, Criador e Redentor, a origem e o destino
do homem.
Na Bíblia
Deus é amor. Se Deus é amor, Os valores do amor
são os valores de Deus. Não vou tentar dizer palavras bonitas ou
copiar o capitulo 13 da carta de São Paulo aos corintos para falar do
amor. Quero dizer que os valores do amor são o Princípio supremo,
a essência da existência, da ordem e da razão, e garantia
dos valores morais. O amor é o principio meio e fim de toda a existência.
E Deus quis
selar o seu infinito amor com uma aliança perpetua. Ama o teu Deus e o
teu irmão. Ser fiel à justiça e ao Direito,
com Amor e Ternura, é o mesmo que dizer Fidelidade à Aliança
com Deus.
É um
programa de vida que exige atenção permanente. Deus é fiel! É nosso
Pastor, defensor de nossa vida em todas as situações. Deus é nosso
Pai e conserva-nos no seu abraço exige conhecimento recíproco.
aconchego, cumplicidade mútua, sinceridade entre as partes. Fidelidade
exige cultivo, tempo para escuta, silêncio e diálogo. E Deus quer
nos falar no mais íntimo de nós mesmos para nos revelar, sempre
de novo, sua proposta de felicidade. Estes são alguns dos valores do amor,
e estão alicerçados na Justiça e no Direito. Estes valores
são igualmente exigidos em família.
Igual a aliança
de Deus deve ser a aliança dos esposos. Para que
o "sim" dos esposos seja um ato livre e responsável e para que
a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas
e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira
importância. O exemplo e o ensinamento dos pais e da família continuam
sendo o caminho privilegiado desta preparação.
Os jovens devem
ser instruídos convenientemente e a tempo, não
só pela família mas também pela sociedade sobre a dignidade,
a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados
no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto
para as núpcias.
"O amor conjugal
comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa — apelo
do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração
do espírito e da vontade; o amor conjugal dirige-se a uma unidade profundamente
pessoal, aquela que, para além da união numa só carne,
não conduz senão a um só coração e a uma
só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação
definitiva e abre-se à fecundidade. Numa palavra, trata-se das características
normais de todo amor conjugal natural, mas com um significado novo que não
só as purifica e as consolida, mas eleva-as, a ponto de torná-las
a expressão dos valores propriamente cristãos."
Pela união dos esposos realiza-se
o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e através deste
bem, a transmissão da vida. Esses dois significados ou valores da família
não podem ser se¬parados pois se isto acontecer, irá alterar
a vida espiritual do casal, compro-meter os bens matrimoniais e o futuro da família.
Assim, o amor conjugal entre o homem e a mulher atende à dupla exigência
da fidelidade e da fecundidade. O casal gera vida nova no amor. Estes valores
jamais podem ser desprezados pela família.
Osorio Soares Gomes,
Coordenador de Catequese da Paróquia de
Ipu.