Catequese, Local ideal para relações humanas

       Depois de muito estudar, participar de encontros catequéticos de formação, reuniões com catequistas, resolvi organizar parte do material adquirido e isso resultou em um ótimo livro em que nós, catequistas da Paróquia de Ipu, utilizamos para ter um melhor relacionamento entre nós, com nossas crianças, com os pais de nossas crianças e com as demais pastorais. A partir de hoje, vou passar para vocês, leitores desta coluna, um bom curso de relações humanas na Catequese. Será demorado, mas quem perseverar até o fim obterá bons resultados.

1ª Parte
A formação dos catequistas

       Os catequistas mais envolvidos com educação da fé de nosso povo somam 67% de jovens e 80% de mulheres revelando fortemente a presença feminina neste ministério eclesial. Essa porcentagem dos jovens vem aumentando a cada ano devido uma melhor preparação tanto na catequese infantil (1ª Eucaristia) como na catequese juvenil (Crisma). Sabemos que em grande parte das paróquias a Catequese ainda é sacramental, porém na Paróquia de Ipu estamos tentando desenvolver uma Catequese Infantil que seja uma verdadeira Escola de Fé na Vida das crianças.
       Para que isso possa acontecer precisamos trabalhar incansavelmente fazendo uma formação orgânica e sistemática para os nossos catequistas. Isso requer tempo e muita disposição tanto por parte da coordenação como dos catequistas. Não podemos deixar de levar em conta a formação que o catequista tem no dia-a-dia.
       Muitos catequistas já tiveram a sua iniciação catequética na própria família. A família é e deve ser para todos os cristãos o lugar privilegiado da experiência de uma vida fraterna e humana, onde pais e filhos se relacionam constantemente. A convivência, a amizade fraterna e a confiança dos membros da família criam certamente a possibilidade para acreditar num Deus-Amor. A formação recebida na infância, em especial até os cinco anos de idade, de preferência dos pais, tem forte influência vida adulta de qualquer pessoa. Se for uma boa formação, certamente teremos bons cristãos. Exemplo disso são diversos catequistas que abraçam a missão por causa do amor e do testemunho que receberam de seus pais.
      A própria vida, a inserção no meio do povo, as experiências do dia-a-dia e uma convivência fraterna vão auxiliando na formação do catequista. Esta formação humana ajuda o catequista a não se tornar um educador na linha intelectual e teórica, fora da história de seu povo e sim um evangelizador que educa também com seus testemunho de vida. Por meio destas experiências o catequista adquire as condições básicas para uma catequese que integra fé e vida.
        O gosto para a leitura do Evangelho, a reflexão cotidiana da prática de Jesus faz com que o catequista aprenda a ouvir o clamor dos pequenos e encher-se de compaixão e de sentimentos de humanidade. O seu grande inspirador é Jesus que se inseriu radicalmente na vida e nos problemas dos empobrecidos de seu tempo. Os Catequistas hoje tem que viver inserido na vida dos seus catequizandos fazendo deles membros de sua família.
        O Catequista também aprende quando ele respeita e toma conhecimento na maneira de seus colegas catequizarem. É no grupo ou na equipe de catequese que o catequista continua a sua formação e a vive plenamente. Quando o grupo é bem organizado, e precisa ser, torna-se fonte de vida, de esperança e alegria. O grupo é capaz de desfazer o medo, as inseguranças, os vazios dos catequistas para que eles adquiram a necessária confiança em si e coragem para enfrentar os desafios existentes. Todo catequista precisa conhecer bem a vida e o trabalho de seus colegas e ter interesse em trocar experiências com os mesmos.
        O lugar de acontecer catequese é a Comunidade. A fé dos cristãos não pode ser uma teoria e sim uma realidade vivida diariamente pelos membros da comunidade. O verdadeiro ideal do catequista deve ser desenvolver um processo de educação da fé através de três elementos básicos: o catequizando, a caminhada da comunidade e a mensagem evangélica. A participação da comunidade cristã é indispensável para o catequista amar e se sentir amado. O catequista precisa participar da vida, das lutas, dos problemas, das alegrias, das esperanças, das celebrações e das orações da comunidade em que junto com o catequizando vai interligando as experiências da vida humana à luz da fé (Estudos CNBB - 59).

Para refletir:
Você já havia refletido que a sua ação catequética também depende do seu dia-a-dia e não somente da formação que você recebe da Igreja?

Osorio Soares Gomes,
Coordenador de Catequese da Paróquia
de Ipu.

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